1. Mroa

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    Colapso surreal atingiu em cheio um terceiro rapaz, o segundo foi decapitado pela força do acaso e o primeiro sobreviveu, após cinco dias na UTI. Um tinha ainda muito amor para dar, o outro nunca soube o que isso significava e o último, meio que acreditava em uma mistura disso, pensava que era muito jovem pra apostar todas as fichas em alguém do presente. As alternativas de vida, acima, evidenciam o caminho da crença, da esperança e do desapego. Em diferentes endereços batem não ocasionais reações para a definição do sentir.

    Outro instante, uma pausa na vida, um novo começo, o fim - passos inconstantes que dão nó na fronteira dos sonhos - que podem ser realizados e motivados pela determinação, em um futuro que pode surgir de qualquer direção. Há mais de dez palmos de anos, cresceu a vivência, nutrida pelos os altos e baixos do que chamamos de respirar um dia após o outro, e nesse período as misérias e as riquezas foram compondo laços internos - choros e risos, momentos esquecíveis e grandes memórias. A conquista de si mesmo pode vir de baixo pra cima, o molde pode ir tomando forma, depois de tombos e escaladas - derrotas e vitórias, aprender com. 

    O tudo sempre acaba e o que resta é a misericórdia, o baixar a cabeça, o arrepender-se de passar a mão na própria cabeça. Quando a chance esgota-se e o martírio é exposto. A dor da perda, o encontro, o delírio eterno. Acreditar ou não, esperar ou não, saber ou não, estar sentindo ou não, resume a incrível maneira de somar.

  2. Conversa boldal

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    Caminhando por ruas insólitas de um vilarejo, centrifugado por pequenos almejos ocasionais, ele seguia seu caminho no andarilhar de quem não tem muito o que dizer sobre a vida. Mais dois passos até a hora em que resolveu levantar a cabeça. Olhou para a esquerda, depois para a direita e estalou sua realidade contra rostos famintos de esperança, impostos como máscaras da população local. 

    Como se alguém despertasse exatamente na hora em que o nosso vivente estivesse passando, uma janela é aberta e um rosto é entrevisto entre as canduras de uma janela bicolor caindo aos pedaços. Era uma mulher. Com a face ainda amassada, resultado de uma noite mal dormida, porém cotidiana -  de uma vida que não dá muito prazer para quem deseja o melhor - ela olha para ele como se já o conhecesse - claro, de outras épocas. Ele não percebe este detalhe, mesmo assim reduz o passo e começa a observar qual é a história perceptível de uma casualidade culpada pela nascença e por uma conformidade pessoal ou governamental. 

    Ele assassina seus pensamentos e lança um sorriso contido. 

    Como se estivesse em transe, entrelaça as questões que pairavam em sua mente. Pouco a pouco uma pergunta começa a ser formada e desenrola-se até a ação do audível. Dirige-se a moça, pede licença por estar invadindo seus limites, respira fundo, conta até cinco e como se ouvisse sua voz pela primeira vez, solta: 

    - Nessa longa estrada, onde alguém pode ter deixado escapar a beleza por entre os dedos, eu nunca vi tristeza maior. Maior que o oceano e mais profunda que a nitidez do fundo de um abismo. Como é possível viver assim?

    Ela, com um espanto qualquer, não entende muito bem de onde surgiu aquele ímpeto de um estranho. Pensou em duas respostas, a primeira, meu caro leitor, é um pouco baixa e cheia de impropérios. A segunda ela escolheu:

    - Não há tristeza maior do que ser sozinho, do que não ver graça no mundo, de contar os dias para que tudo acabe. E o pior, saber que vamos ser esquecidos em menos de 24 horas. Se existe felicidade, ela nunca chegou aqui. Nunca bateu na minha porta e nem se deu o trabalho de alastrar um sorriso na minha cara.

    Ele um pouco ressabiado por tanta franqueza, decidiu abrir uma fresta do jogo que chama-se bondade. Ofereceu além da mão, o braço que ajuda, disse que tinha muitas posses na cidade, e por força do destino ou não, sentia-se tocado por tudo que viu e ouviu, logo queria transformar sua vida, emprego/dinheiro, o que fosse necessário.

    Ela parou de ouvir por um instante, começou a imaginar um novo começo. A partir dali, poderia ter a vida que nunca havia parado pra sonhar. Contudo, voltou a realidade e não teve coragem. Coragem de jogar o pouco que tinha para o alto, de reiniciar seus valores e rotina. Não tinha esperança, apenas fluía como sempre fluiu desde sempre. Na expectativa de misérias sentimentais e satisfações momentâneas. Uma vida melhor não estava prevista para chegar na embarcação do futuro.

    Cansado de tanta aceitação proposital, ele virou as costas e seguiu seu caminho. Por que tentar convencer alguém sobre o caminho que deveria trilhar? 

  3. Como quem disse que não

    Camaradagem é o tempo passar reto - como se um dia não viesse após o outro. Nem pequenos sonhos e nem grandes emoções. O compasso da rotina risca círculos imensos de grandes verdades, com núcleos nutridos por mentiras encabuladas. Nem é uma questão de deixar as horas passarem despercebidas, mergulhadas nas águas da dúvida turva - carregada de pensamentos paralelos, conclusões precipitadas e um amanhã que pode ser totalmente diferente. Sabendo ou não, o superficial é autêntico, pois transpassa a pureza do real. Só ele respeita a essência e sucumbi na crítica.

    Emaranhado de ilusões perdidas, emboladas no risco de perder a razão. Saltando montanhas e imergindo em sensações novas em folha. O grito da esperança é sufocado, sem ao menos ter a chance de concorrer ao prêmio da boa vontade - diagnosticando perigos, alcançando lástimas e subornando os objetivos. Deixar o prazo esticar a natureza do fluir - assim corre o barco de um só coração, com uma muralha que é derrubada em um sopro e construída em vinte e quatro horas. Na defensiva.

    Saber perder o ritmo do passado e conquistar uma nova cara, anoitecer dentro de um inverno eterno, passar dos limites e voltar atrás. É como nascer de novo e querer dizer não ao que passou, carregar o peso da individualidade, mesmo que seja abrir mão de quem deveríamos ser. Deixar a Deus dará, sem medo e nem dor. O tudo sempre gira em torno do quanto o equilíbrio é capaz de aguentar. A dó de quem começa de novo é mais violenta do que a vítima voluntária.  

  4. Voraz

    As forças encapsuladas dentro de um só coração, visão, noção de espaço necessário para consagrar uma vida cheia de ofertas topadas. Uma batalha entre os olhos atentos da diversidade local, combinando gostos e sabores, suor.

    Equilíbrio de notas em obstáculos noturnos, com vapores baratos de rancores passados e vivências imaculadas, sem ordem e sem coincidências obrigatórias. O outro lado da sobrevivência bipolar, que mostra-se em pedaços, compartilhados entre sonoros desejos. A função do recomeço, a fórmula da razão impulsiva.

    Quem move-se primeiro consegue achar o caminho da realidade, compromissado com as verdades do amanhã perdido, sem risco, apenas com o lado certo de desfrutar a coragem que brinda os momentos.

    Dizem que o dia seguinte pode ser melhor, o ponto em que a superação vence a guerra contra as descrenças de um si. Mudanças de opiniões e corrupção de todos os limites traçados.

    Embarcando em emoções, navegando entre mares de desconhecidos, força que acaba ao primeiro toque do brilho do sol. Planejar castelos e deixar o alcançar pra lá.

  5. Uma fase aleatória

    Cada vez mais próximo do final, que começa a partir de uma vontade qualquer. A finalidade de querer e saber o motivo, o torpe interesse que se aproxima de uma mente com lembranças marcadas nos passos do cotidiano.

    Começar a desvendar as lendas sobre o eu que existe em um você aparente. Sem novidades, sem esperanças, apenas a nítida verdade, o desejo de conseguir se transpor para o que é real. Dinamismo da oferta e da procura, do sucesso de um quase nada. Luta e benção, ilusão e olhos abertos. 

    A partir de um segredo que flui com as temperaturas do cair da noite, a estátua do farol da vida é erguida, com a santa diversão de pular mais e mais cada obstáculo, que se camufla na forma de momentos difíceis, que passam, tudo passa. 

    Construindo um desfecho feliz, a síntese do que é realmente o certo a fazer, com o perfeccionismo de não deixar nada sair do lugar, nem vasos quebrando, nem poeira subindo - detalhes que competem para que a história não seja maravilhosa. O correr atrás de um caminho certo, como se o errado levasse até um abismo, um eterno mar de mágoas e rancores. De onde vem a ideia de querer sempre mais? De não se contentar com o suficiente? O suficiente pode responder a interrogação.

  6. Quando a naturalidade floresce? Quando os olhos esquecem o significado da palavra crítica. Percepção de costume, alterada por fatores de puro entendimento. Verdades vistas, despidas de ignorância - é aí que o incomum é posto em julgamento, junto com perguntas: O que é influência? Como isso me provoca? Centralizando as flechas tortas de sabedorias distorcidas, como alvo de tempestades de falas desconhecidas, como se a importância delas fossem meramente interessantes. Digo o que eu vejo, sinto o que não é expresso. Que tragam ao público!
Trague e expire, espiral de burrice enfadonha, com nós de puro egocentrismo. Altar de mitos, altar de histórias mal contadas ou, simplesmente, não ouvidas. Não estávamos lá para ver, para acompanhar as mudanças do eixo do enredo da humanidade. Como podemos sossegar em companhia de nosso corpo, quando nos deparamos com gritos negativos, palavras com peso de desgraça. Mudando de caminho? Aceitando? Às vezes, temos que lidar com a esperança, a esperança de que o outro seja salvo pelas asas do bom senso, mas como salvar quem acha que não precisa ser salvo?

    Quando a naturalidade floresce? Quando os olhos esquecem o significado da palavra crítica. Percepção de costume, alterada por fatores de puro entendimento. Verdades vistas, despidas de ignorância - é aí que o incomum é posto em julgamento, junto com perguntas: O que é influência? Como isso me provoca? Centralizando as flechas tortas de sabedorias distorcidas, como alvo de tempestades de falas desconhecidas, como se a importância delas fossem meramente interessantes. Digo o que eu vejo, sinto o que não é expresso. Que tragam ao público!

    Trague e expire, espiral de burrice enfadonha, com nós de puro egocentrismo. Altar de mitos, altar de histórias mal contadas ou, simplesmente, não ouvidas. Não estávamos lá para ver, para acompanhar as mudanças do eixo do enredo da humanidade. Como podemos sossegar em companhia de nosso corpo, quando nos deparamos com gritos negativos, palavras com peso de desgraça. Mudando de caminho? Aceitando? Às vezes, temos que lidar com a esperança, a esperança de que o outro seja salvo pelas asas do bom senso, mas como salvar quem acha que não precisa ser salvo?

  7. Cara, coragem

    E a gente entende que sempre foi tudo sobre uma questão de erguer a coragem. Do vento balançar a bandeira do ‘sou assim’ ou ficar superior, mas no bom sentido, no sentido da sabedoria.

    Martelando um caminho, tirando pedras e esnobando o mau olhado. Que pena, que perda de tempo alheio. O desperdício saindo pela chaminé. Vamos rezar, vamos torcer.

    O bater das palmas, o sentido da vida, o viver que vale a pena de verdade. Mas se deixarmos por conta do acaso? Vitórias ocasionais, sem a insistência preguiçosa?

    Querida coragem, chegue de mansinho, alastra-se, quebre-me, arranque raízes! Tufão de mudanças, o como que era pra ter sido desde sempre.

  8. Passos marcados e o abre alas da rotina

    Amanhã vai ser outro dia, turbo de emoções acionadas pela vontade do potencial programado. Dia de sorte, fatos bem tratados com atenção. Esforço rotineiro e frutos do amanhã. Colheita divina.

    Passos pontuais.
    Destaques de uma vida cheia de metas, nunca suficientes, nunca e sempre na ponta dos dedos. Mais uma temporada de crises risíveis, dias que nada duram, graças, canseiras visíveis e diversão necessária - além dos vícios de canto.

    Outra hora, outro momento. Benquisto o caminho da escolha. Como a roupa amassada e as impressões malditas.

    É o palco diurno e noturno, é viver em cena, é saber representar. Fechar a cortina do real. Um abre alas sem asas.

  9. Pequenos grandes faróis
Quando a luz alta da vida surge e resolve abrir nosso globo ocular para o novo, o que importa é o novo da gente.  A importância dada a guerra de palmas levantadas, em razão de servirem de peneira contra a luz forte que cega, não adianta e morrem em queixas alheias. Da mesma maneira a vida vira, colocando mãos à obra, e busca ser recompensada por meio de procuras intercaladas com vaidosas pausas. Resolve-se com bagunça - nos atiramos de cabeça – ou pensamentos que idolatram o sim. Não estamos preparados para frear, não estamos querendo parar, porque parar não é visto como sinônimo de bom. Pelo contrário, aprendemos – quer dizer, se quisermos.
Quem resolve o que faz com o próprio tempo nessa terra do nunca, somos nós mesmos. Tempo bem aproveitado? Depende do ponto de vista. Testemunhas de desejos infinitos, querendo o inimaginável – perseguindo objetivos que não receberam atenção – aquele bastante para seguir sem distrações o caminho da conquista.
Quem olha pro lado pode perder a vez, pelas dinâmicas, pelas buzinas que silenciam o real sentido. Correria, pontualidade impontual. Vozes que embalam decisões, momentos que não chegam.  Verdades absolutas de seres que não saem do lugar, por nada nesse mundo – vocês diriam que a vez chega quando a próxima oportunidade é desperdiçada? Ou simplesmente quando o tempo acaba? 

    Pequenos grandes faróis

    Quando a luz alta da vida surge e resolve abrir nosso globo ocular para o novo, o que importa é o novo da gente.  A importância dada a guerra de palmas levantadas, em razão de servirem de peneira contra a luz forte que cega, não adianta e morrem em queixas alheias. Da mesma maneira a vida vira, colocando mãos à obra, e busca ser recompensada por meio de procuras intercaladas com vaidosas pausas. Resolve-se com bagunça - nos atiramos de cabeça – ou pensamentos que idolatram o sim. Não estamos preparados para frear, não estamos querendo parar, porque parar não é visto como sinônimo de bom. Pelo contrário, aprendemos – quer dizer, se quisermos.

    Quem resolve o que faz com o próprio tempo nessa terra do nunca, somos nós mesmos. Tempo bem aproveitado? Depende do ponto de vista. Testemunhas de desejos infinitos, querendo o inimaginável – perseguindo objetivos que não receberam atenção – aquele bastante para seguir sem distrações o caminho da conquista.

    Quem olha pro lado pode perder a vez, pelas dinâmicas, pelas buzinas que silenciam o real sentido. Correria, pontualidade impontual. Vozes que embalam decisões, momentos que não chegam.  Verdades absolutas de seres que não saem do lugar, por nada nesse mundo – vocês diriam que a vez chega quando a próxima oportunidade é desperdiçada? Ou simplesmente quando o tempo acaba

  10. Barulho & Movimento

    Pela cidade o tempo corre ausente-presente em caminhos de sorte ou azar. Gente comendo asfalto e poeira, querendo saltar dois dias a frente, matando a espera, corrompendo oportunidades - idolatrando o bem estar de quedas aceitáveis. 

    Palpites que se desfazem no vento. Queremos, mas não podemos fazer nada para forçar situações que não se fazem reais - ainda. Chateados com a vida, reclamando inutilmente, sem motivos de sobra. Sucumbindo sequencialmente em conjunto de cotidianos iguais. Torcendo para que amanhã o imperfeito perca o significado do prefixo. 

    Como som e fúria, como costume e indiferença.

Quem sou eu

Febre de momento, delírio que sucumbe ao mais simples desejo singelo de escrever sobre a eira e a beira do cotidiano. Ir de encontro as linhas paralelas que definem conflito e realidade, transbordando em indiretas de vontades bem significativas. Desta forma, não deixando dúvidas que o que é óbvio, não tem nada de óbvio.

Entre as entrelinhas o arsenal da carga de leitura - peso mil - e uma mistura com as tentações artísticas e visuais que pairam ao redor da atenção. Cair de boca em um mar do que parece ser, mas não é.

#ESCRITA AUTOMÁTICA

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